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Mensagem da Presidência da Estaca

Nosso dever ao reerguer o Reino de Deus

1 de outubro de 2026 · Presidente Paulo Roberto Rodrigues

Durante a recente Reunião Sacramental Extraordinária da Estaca Fortaleza Brasil Messejana, o Presidente Rodrigues compartilhou alguns princípios relacionados à liderança e ao papel de cada membro na edificação do Reino de Deus.

Devido ao tempo disponível naquela ocasião, nem todos os pensamentos preparados puderam ser desenvolvidos. Nesta publicação, reunimos a mensagem que ele desejava compartilhar com os membros da Estaca: a obra do Senhor não é realizada apenas por aqueles que presidem. Ela depende da disposição de cada discípulo de Jesus Cristo em servir, apoiar, aprender e permanecer fiel.

A capacidade é menor que a disposição

Ao falar sobre o Profeta Joseph Smith, o Presidente Rodrigues relembrou que Joseph não possuía a formação, o conhecimento ou os recursos que, aos olhos do mundo, seriam esperados para realizar tamanha obra.

Ainda assim, estava disposto a ser ensinado e conduzido pelo Senhor.

O próprio Salvador demonstrou esse princípio quando declarou:

“Pai, se queres, passa de mim este cálice; porém não se faça a minha vontade, senão a tua.” — Lucas 22:42

Nossa capacidade individual sempre terá limites. A obra de Deus, porém, não depende exclusivamente daquilo que conseguimos fazer sozinhos.

A liderança começa quando deixamos de confiar exclusivamente em nossa própria capacidade e passamos a confiar no Senhor.

Isso também nos ensina algo sobre aqueles que são chamados para liderar. Nossos líderes possuem limitações, assim como nós. Sustentá-los não significa acreditar que sejam perfeitos, mas reconhecer que o Senhor trabalha por meio de homens e mulheres imperfeitos que procuram sinceramente servi-Lo.

Exemplo sem abandono

Nem todas as pessoas caminham no mesmo ritmo.

Algumas compreenderão rapidamente. Outras precisarão de tempo. Algumas avançarão com fé; outras terão dúvidas, medos ou dificuldades para compreender determinadas mudanças.

O verdadeiro líder não abandona essas pessoas.

Ele continua ensinando, amando e conduzindo.

O Salvador demonstrou esse padrão até mesmo na cruz, quando declarou:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” — Lucas 23:34

Mas essa responsabilidade não pertence apenas aos líderes. Por meio de nosso convênio batismal, todos assumimos a responsabilidade de cuidar, ministrar e ajudar nossos irmãos e irmãs.

O convênio foi feito por nós também.

Seguir remando significa continuar servindo

Moisés testemunhou grandes milagres e, ainda assim, liderou um povo que enfrentava dificuldades, reclamações, dúvidas e conflitos.

Mesmo assim, permaneceu ao lado deles, servindo e amando.

Uma liderança bem-sucedida não é aquela que consegue impedir todos os problemas.

É aquela que ajuda as pessoas a atravessarem os problemas com fé.

Por isso, uma pergunta importante para todos nós é:

“Como estou ajudando as pessoas a encontrarem Cristo no meio desses problemas?”

Assim como Cristo estendeu a mão a Pedro quando ele começou a afundar, precisamos aprender tanto a estender a mão quanto a ter humildade para aceitar ajuda quando somos nós que estamos afundando.

Centralizar em si é contrário ao progresso

Delegar não é abandonar responsabilidades.

Delegar é multiplicar a capacidade de servir.

O bispo não pode fazer tudo. O presidente não pode fazer tudo. O líder de uma organização não pode fazer tudo. O professor não pode fazer tudo.

A obra pertence a Jesus Cristo, e nós somos instrumentos por meio dos quais Ele a realiza.

Por isso, precisamos ensinar pessoas, confiar nelas, proporcionar oportunidades para que sirvam e ajudá-las a crescer.

Quando uma oportunidade de servir nos é oferecida, devemos aceitá-la dentro de nossa honesta capacidade e servir com dedicação e amor.

Chamado não é status

A missão do líder é conduzir o povo até Deus, não até si mesmo.

O verdadeiro líder não pergunta:

“Como faço para que as pessoas me sigam?”

Mas:

“Como faço para que as pessoas sigam a Cristo?”

Quando Cristo está no centro, o reconhecimento pessoal deixa de ser o objetivo.

Um líder pode permitir que outra pessoa brilhe. Pode ensinar alguém que futuramente ocupará seu lugar. Pode preparar outra pessoa para realizar algo que ele próprio talvez desejasse realizar.

Porque seu objetivo não é construir um legado pessoal.

Seu objetivo é construir discípulos.

Ouvir também é liderar

As escrituras ensinam:

“Na multidão de conselheiros há segurança.” — Provérbios 11:14

Ouvir não enfraquece um líder.

Um líder maduro compreende que Deus também pode ensiná-lo por meio das pessoas que estão ao seu redor.

Às vezes, uma grande demonstração de liderança é simplesmente reconhecer:

“Você tem razão. Preciso mudar isso.”

Da mesma maneira, quem é liderado precisa estar disposto a ouvir, conversar com sinceridade e receber orientação com humildade.

Nossa fidelidade não depende da fidelidade dos outros

Quando Moisés desceu do monte e encontrou o povo adorando o bezerro de ouro, poderia ter se sentido profundamente decepcionado.

Mas a infidelidade do povo não fez com que ele abandonasse sua responsabilidade espiritual.

Pessoas que amamos poderão tomar decisões erradas. Algumas pessoas que ensinamos poderão se afastar. Outras poderão rejeitar conselhos ou nos decepcionar.

Ainda assim:

Nossa fidelidade a Deus não pode depender da fidelidade das pessoas ao nosso redor.

Nós ensinamos. Amamos. Advertimos. Servimos. Oramos.

Mas cada pessoa possui seu próprio arbítrio.

A maior liderança é o exemplo

As pessoas podem esquecer muitas coisas que dizemos, mas dificilmente esquecerão aquilo que observaram em nossa vida.

Se queremos que tenham fé, precisamos demonstrar fé.

Se queremos que sirvam, precisamos servir.

Se queremos que perdoem, precisamos perdoar.

Se queremos que sejam pacientes, precisamos ser pacientes.

Se queremos que amem, precisamos amar.

A liderança começa no púlpito, mas é confirmada no exemplo.

E esse princípio não vale apenas para aqueles que possuem um chamado de liderança. Nosso convênio de seguir Jesus Cristo foi feito por todos nós.

A Igreja é inspirada e guiada por Deus, mas liderada por homens

Existe o risco de colocarmos nossos líderes em um pedestal.

Mas Moisés teve medo. Ficou frustrado. Cansou-se. Errou. Precisou de ajuda, de conselhos e, acima de tudo, precisou de Deus.

Liderança cristã não significa ser perfeito.

Significa continuar buscando sinceramente o aperfeiçoamento enquanto procuramos conduzir outras pessoas a Cristo.

Um líder não precisa fingir que possui todas as respostas. Precisa ter humildade para reconhecer suas limitações e continuar buscando a orientação do Senhor.

Como aprendemos em Alma 37, é por meio de coisas pequenas e simples que grandes coisas são realizadas.

Preparar novos servos de Deus

Moisés dedicou décadas conduzindo Israel em direção à Terra Prometida.

Mas não foi ele quem entrou nela com o povo.

Essa responsabilidade coube a Josué.

Há uma importante lição nisso:

Nem tudo aquilo que começamos será concluído por nós.

Talvez outra pessoa colha frutos daquilo que plantamos. Talvez alguém dê continuidade a algo que começamos.

Isso não significa fracasso.

Às vezes, a maior obra de um líder não é aquilo que ele realiza pessoalmente, mas aquilo que ele prepara outra pessoa para realizar.

Líderes serão desobrigados e novos líderes serão chamados.

Eles poderão ter personalidades, experiências e maneiras de trabalhar diferentes daquelas às quais estávamos acostumados.

Mas nosso compromisso permanece.

Nosso convênio é com Cristo e com Sua obra.

Devemos amar, honrar e apoiar aqueles que servem hoje e também aqueles que serão chamados amanhã.

Juntos

Ao concluir a mensagem preparada para aquele domingo, o Presidente Rodrigues deixou uma declaração que resume muito bem o momento vivido pela Estaca:

“Amados irmãos, construímos juntos essa Estaca, e juntos a manteremos e recuperaremos.”

A edificação do Reino de Deus não é responsabilidade apenas de uma presidência, de um bispado ou de algumas organizações.

É uma obra de todos nós.

Com diferentes capacidades, experiências e responsabilidades, podemos continuar servindo, aprendendo, apoiando uns aos outros e colocando Jesus Cristo no centro de tudo.

Porque a obra é Dele — e o privilégio de participar dela é nosso.